Sobre preencher vazios

Você já sentiu que apesar de todos os problemas, sua vida ta boa? Assim, que tava no rumo certo, que você estava bem e que as coisas só tinham a melhorar? Eu senti, e isso pra mim era completude.

Do nada, praticamente, o chão me foi tirado, o que era completo, cheio, ficou vazio, e eu que era tão forte e feliz, me senti menos que qualquer coisa, senti que até o grampeador que tou olhando agora, era mais útil que eu nessa vida.
O tempo foi passando e eu, tentando sair da bad – em que eu mesma me coloquei, diga-se de passagem -, comecei a procurar atividades que me fizessem mudar o pensamento, e nem tou falando de trocar um “eu sou um nada” por um “eu sou tudo”, mas sim pensar em outra coisa que não fosse EU.

Assisti filmes, levei meu cachorro ao médico, conversei mais com meu irmão, brinquei mais, tentei ser mais leve, visitei minha madrinha várias vezes, voltei pra Videira, enfim, eu não tava tentando ser uma pessoa melhor, eu tava tentando fugir dos meus próprios pensamentos, ocupar meu tempo, me cansar e me sentir tão esgotada que ao chegar em casa, fecharia meus olhos e cairia em um sono profundo – e graças a Deus isso acontecia.

Mas o meu vazio não foi preenchido. Nada que eu fizesse preenchia, nada me dava novamente a segurança de um futuro feliz.

Pensei muito sobre isso, e tudo o que eu me propunha não parecia o suficiente pra me completar, dá pra entender?

Apesar de todos os meus esforços pra ocupar o meu tempo, eu continuava na frustração de me sentir sozinha, no fim das contas, e por favor não confundam essa frase com aquelas que merecem, como resposta, um “você tem sua família”, porque eu sei disso, e eles são os mais incríveis. A solidão de que tou falando é uma parada mais profunda, sabe, trata-se de um problema que você tem que resolver consigo!

E pensando em tudo, procurando coisas que me preenchessem, eu cheguei a conclusão de que não tava querendo bicicletas, atividades, amigos ou qualquer coisa do tipo, eu só queria sentir que sou feliz de novo, mesmo sozinha. Percebi que eu vivi pensando que era completa porque eu estava feliz, mas felicidade não é algo que está sempre com a gente apesar dos sorrisos que espalhamos por ai, e que se eu imaginava que eu era feliz o tempo todo, eu só me cegava, me poupava ver os problemas que tinha, e ainda mais que isso, colocava a minha fonte de alegria em alguém. Desculpa, bem, foi muita pressão.

Se eu me sinto completa hoje? Essa pergunta tá errada.
Se eu me sinto completa agora? Sim, porque o que me preenche é a felicidade, e ela não é frequente, ela só chega, fica por um tempinho, senta e toma chá de capim santo, depois vai visitar outros corações. É justo.

É como estar presente durante o louvor na Videira, igreja que frequento.
Dá pra sentir que Deus tá ali, quase dá pra ver a energia daquele lugar, e depois que o culto acaba, a gente sai aliviado, dorme feliz, preenchido com Deus. No outro dia a vida começa de novo, volta a rotina, e isso não é ruim, é até uma realidade bem boa de se viver.

O que eu aprendi com tudo isso?

Que as vezes só precisamos ligar o foda-se, parar de nos pressionarmos tanto na busca de algo, porque, claro, muito depende da gente, mas quando algo é pra ser, ele só é. A felicidade veio, e não é porque eu corri muito atrás, pra mim, ela ta aqui por coisas simples, momentos, lembranças, o ato da escrita, por exemplo. Eu não preciso ficar cobrando de mim mesma que eu seja preenchida, eu nunca estive completa, ninguém nunca vai estar, e no fim das contas, isso só nos torna melhores, nos faz valorizar aqueles momentos de chá.

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